Em OUTUBRO ---

A burning, burning bright! (1)

Talvez a série mais conhecida do pintor francês Henry Rousseau seja aquela sobre as selvas tropicais. Por trás do esquema representativo desse seu trabalho há um dado cuja elucidação possa fazer com que a influência exercida sobre os posteriores surrealistas franceses do século passado não possa continuar a ser tomada como fruto do acaso, ou mesmo como referência irônica. De fato Rousseu nunca, em toda sua vida, teve a disposição uma simples foto pra saber o que de fato seria uma verdadeira selva, os seus únicos recursos foram na verdade os relatos de viajantes das americas, histórias que estava acustumado a ouvir pois trabalhava em tempo regular como alfandegário; o jardim botânico francês, que costumava ser seu espaço de lazer e de onde muito provavelmente lhe surgiu o tema para a série; e por fim o elemento que lhe possibilitou imprimir a marca pessoal: os olhos que procuraram imendar os espaços perdidos entre a imaginação e o desejo, entre a realidade tangível e a inesperada. O quadro Que escolhi talvez possa ser o que isso se torna mais evidente. Chama-se "A floresta virgem", nele dois personagens, igualmente obuscuros, um homem feito de sombra e um tigre feroz, transitam pelo cenário insólito de uma selva hiperbólica e possivelmente viva, uma surpresa dentro da supresa.

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3 comentários:

Bernardo Souto disse...

"A morte é inefável,mas a vida também o é."Parece que H. Rousseau foi um dos que melhor compreenderam esse cósmico aforismo da Clarice Lispector.Para Rousseau,de facto,a realidade possui um quê de insólito,de onírico.O físico é o metafísico,o metafísico é o físico.

Me pergunto:por que será que um artista dessa magnitude é tão pouco festejado?

Henrique Cavalcantti disse...

Eâ cara, tava só passando e achei o seu blog bacaninha, quer sizer, bom mesmo. O título é uma mencão a Blake, né, saquei. Quanto a pintura, acho que já conhecia algo parecido, talvez outra desse mesmo pintor. Realmente há uma atmosfera de "Medo" entorno, dá pra sentir isso, o ataque inesperado do tigre, a selva enorme e o homem obscuro...
Valeu!

Alisson da Hora disse...

Por que será que há nele uma certa pequenez das figuras humanas em relação ao tamanho da floresta?Será com a mesma intenção de Bosch e de Bruegel que colocava o ser humano em escala menor para ressaltar a sua incapacidade de controlar, seja a Natureza, seja os seus próprios medos?
Não conhecia muito o Rousseau, agora vou compará-lo com os grandes mestres, Bosch e Bruegel, além de Dali...

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