Em OUTUBRO ---

Pega na mentira !!!!


É, eu estou aqui encucando um pouco.. Como é que alguém pode se propor a contar algo justamente no dia celebrado em homenagem a mentira? E assim, em tempos em que um "Photoshop" em terra de cego é rei, qual vai ser o cristão (ou muçulmano) que vai dar bola pra alguma linha do que eu escrever por aqui? Sei lá, vou inventar qualquer coisa mesmo!..
E não é que eu acabei de voltar de uma viajem que fiz a Itália, a jornada toda durou aproximadamente um mês, mas a impressão de tudo o que vi, pode ficar certo, vai permanecer por muito tempo na minha cuca! Falar de algum roteiro cultural à Itália é condição "sine qua non". Uma amostra da dimensão do que isso significa pode ser dada pela própria Unesco que atribuiu nada mais do que 80% de todo patrimônio cultural à Itália, Catzo!! E não é que os italianos são considerados, através do exame de média populacional de quociente de inteligência, o segundo povo mais inteligente do mundo (Claro que os japas ganharam a parada né, mas foi por pouquinho...) Pois é, achei a Itália maravilhosa... O ápice de minha viajem foi, com certeza, quando avistei o Umberto Eco num barzinho da Piazza d' italia e, sem perder a oportunidade, me sentei próximo para ouvir a conversa que ele mantinha com outros dois amigos seus (não estou certo disso mas acho que um era o Wood Allen e o outro era o Allan moore). O assunto me pareceu inacessível de início, eles pareciam continuar um papo sobre um livro que Eco estava pensando em publicar, mas depois fiquei em dúvida se estavam só falando algo sobre a condição da existência contemporânea (ou pós-moderna). Nisso, o Wood deu um riso audível e deixou cair na mesa o sanduíche que carregava. Ele disse algumas coisas em seguida, citou Freud, falou sobre a necessidade da masturbação na vida diária e coisas do gênero. O Alan moore, que parecia estar muito calado e sério feito um fiscal do imposto de renda, sussurrou algo pro Umberto que sorriu adoidado, o que ele terá dito? E eu seu sei, se tivesse ouvido de turbeculoso saberia! Em seguida terminei minha cervejinha e passei por eles. Ainda escutei um pouco outro assunto que os caras puxaram. Falavam sobre a habilidade de mentir, algo que só poucos dominavam como se fosse uma perícia científica. Umberto Eco citou, emocionadamente, Jorge Luis Borges, o que para ele seria um símbolo desse mentiroso ideal, falou sobre as brincadeiras do velho cego argentino e, para ilustrar pessoalmente o que dissera, falou sobre a homenagem que lhe prestou no livro "o nome da rosa". Wood disse que também fizera algo parecido, também havia prestado uma homenagem a Jorge Luis Borges, só que não havia confessado até então. Falou sobre um conto borgiano, "El olvido de la eternidad" que leu em um fascículo francês no final dos anos 60, época em que Borges se tornava mundialmente conhecido. Como achei tudo muito interessante, procurei me sentar logo, e o mais próximo também, pra ouvir a coisa toda.. Fiquei na calçada mesmo, as cadeiras da Piazza d' Itália são disputadíssimas. O Wood foi bem enfático no que dissera, o conto lhe serviu de inspiração para cinco de seus filmes! Em seguida protestou um pouco o fato de Borges não ter ganhado o Nobel por meros equívocos políticos. Houve um silêncio momentâneo entre eles, podia-se escutar os sinos da igreja, as conversas dos turistas do outro lado da rua, as singularidades das batidas das assas dos pássaros de frente a praça etc. Eco retornou o diálogo comentando por alto um artigo que Jean Ricardou havia escrito sobre o conto borgiano que Wood havia mencionado. Alan moore disse ter lido o mesmo em uma magazzine irlandesa, o achara imaginário e grande tal qual toda obra borgiana e já pensava, dado a revelação de Wood, em adaptá-lo da mesma forma. Wood, que durante todo o momento permanecera atencioso aos ditos dos colegas de copo, soltou novamente o sanduíche na mesa e largou, mais uma vez o seu sorriso. Alarguei meus olhos, não estava compreendendo nada. Eco e Alan fizeram o mesmo. Wood sorria, sorria. Enfim parou, respirou e falou que pregara uma peça, Borges nunca havia escrito o tal conto, tudo não passava de fruto de sua imaginação momentânea. Os outros compreenderam a piada, sorriram de suas próprias palavras e seguiram falando outras coisas.
Eu confesso que fiquei enfezado, já contava ganhar algum trocado escrevendo um livro, uma tese, um artigo de jornal, qualquer coisa sobre aquela possível ligação e tudo foi por água abaixo! Santa mentira!

Ministério da saúde adverte, mentira cheira mau!

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2 comentários:

Germanus Kaiser disse...

Gostaria de saber também alguma peça que vcs pregaram e/ou pregaram com vcs nesse dia...

Bruno Piffardini, o Próprio disse...

pô, Germano! Você é só cego ou também é foda?
Eu tava bem do lado da mesa dos caras, fiquei acenando até o braço cansar e você nem aí! Tá certo, fingir que não me vê é uma coisa, fingir que não viu o Neil Young na minha mesa também, mas se recusar a ver a Isabelle Adjani, pô, já foi grosseria da sua parte... ela ficou muito triste com a sua reação, Germano "le gros brute", como ela mesma disse.
Também, quando eu viajar para as Ilhas Gregas no próximo 1o. de abril, chamo a Isabelle, o Neil, o Kofi, a Julliete, a Angelina, a Daryl Hannah e você não vai! :P

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